A historiadora imersa: uma leitura comparativa e exploratória da metaficção historiográfica na literatura feminista popular
DOI:
https://doi.org/10.51247/pdlc.v7iEspecial1.921Palavras-chave:
metaficção historiográfica; literatura feminista popular; Chimamanda Ngozi Adichie; Margaret Atwood; interseccionalidade; voz subalternaResumo
Objectivo: Examinar como as narrativas feministas populares recuperam a memória histórica numa perspectiva narrativa através de uma análise comparativa do conto "A Historiadora Obstinada", de Chimamanda Ngozi Adichie, e do epílogo "Notas Históricas", de *O Conto da Aia*, de Margaret Atwood. Metodologia: Este estudo exploratório empregou uma abordagem qualitativa baseada na leitura comparativa de ambos os textos. A análise fundamentou-se no conceito de metaficção historiográfica de Hutcheon (1988), complementado por evidências secundárias de obras de ficção contemporânea escritas por mulheres na Escócia e de romances populares de grande circulação. Distinguiu-se ainda entre literatura popular, definida pelo seu género e circulação, e feminismo popular, entendido, segundo Banet-Weiser (2018), como uma identidade política moldada pela dinâmica do mercado. Resultados: Os resultados mostraram que a metaficção historiográfica adota configurações narrativas opostas nas obras analisadas. No texto de Adichie, a figura do historiador integrada na narrativa restaurava e vindicava o registo histórico, enquanto na obra de Atwood se questionava a possibilidade de confiar em qualquer historiador incorporado na narrativa. Conclusões: A principal contribuição do estudo foi demonstrar que a recuperação narrativa da memória histórica não responde a um único mecanismo, mas pode desenvolver-se através de estratégias divergentes. As limitações exploratórias da análise foram reconhecidas e foi proposta uma linha de investigação específica e falseável para futuras pesquisas comparativas sobre memória histórica, metaficção e identidades feministas populares
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