A lacuna simbólico-substancial: masculinidade institucional e políticas de recrutamento e promoção nas organizações de gestão desportiva
DOI:
https://doi.org/10.51247/pdlc.v7iEspecial1.990Palavras-chave:
masculinidade institucional; organizações generificadas; gestão desportiva; tokenismo; masculinidade hegemónica; recrutamento e promoçãoResumo
Este estudo teve como objetivo analisar as causas da persistente desigualdade de género nos espaços de decisão da governação desportiva internacional, apesar dos avanços alcançados na representação simbólica e numérica das mulheres. Foi desenvolvida uma abordagem de investigação qualitativa, baseada na análise de dados secundários. Em primeiro lugar, foi realizada uma síntese quantitativa de estatísticas publicadas entre 2024 e 2026 pelo Comité Olímpico Internacional, FIFA, Federações Internacionais e Comité Paralímpico Internacional, apresentada num gráfico comparativo original. De seguida, foi realizada uma meta-síntese qualitativa de cinco estudos empíricos sobre organizações desportivas, codificados com recurso à teoria das organizações generificadas de Acker (1990) e à teoria do tokenismo de Kanter (1977). A análise baseou-se também no conceito de masculinidade hegemónica de Connell e Messerschmidt (2005) e na interpretação de Kerfoot e Knights (1998) da gestão como um projeto de gestão masculinizado. Os resultados revelaram um fosso persistente entre a representação simbólica e o acesso efectivo ao poder, dado que a participação feminina atingiu níveis próximos da paridade nos órgãos e comissões directivas, mas diminuiu consideravelmente nas presidências das federações e nos cargos de treinadoras. Uma excepção significativa foi identificada no movimento paralímpico, onde as mulheres constituíam a maioria num órgão administrativo. Conclui-se que a igualdade numérica não garante uma redistribuição efetiva do poder, tornando-se necessário o reforço das reformas institucionais e o desenvolvimento de estudos comparativos que expliquem os fatores organizacionais que favorecem a participação feminina substancial na governação desportiva
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