Estruturalismo e a tradição gramatical árabe: o que realmente mudou e o que não mudou
DOI:
https://doi.org/10.51247/pdlc.v7iEspecial1.994Palavras-chave:
estruturalismo; linguística árabe; nahw; teoria do ʿāmil; Tammam Hassan; Sibawayh; funcionalismo; linguística cognitivaResumo
RESUMO
Este ensaio teve como objectivo examinar criticamente a afirmação amplamente difundida na investigação linguística árabe contemporânea de que o estruturalismo europeu transformou decisivamente o estudo da gramática árabe. Para tal, adotou-se uma abordagem qualitativa, analítica e histórico-comparativa, baseada numa análise crítica das fontes primárias do estruturalismo europeu — principalmente as obras de Ferdinand de Saussure, Leonard Bloomfield e Roman Jakobson — bem como da tradição gramatical árabe clássica e moderna, representada pelo Al-Kitāb de Sibawayh e pela obra de Tammam Hassan sobre a teoria da convergência de pistas (taḍāfur al-qarāʾin). A análise foi complementada por literatura académica recente sobre linguística árabe, estruturalismo, funcionalismo e linguística cognitiva. Os resultados mostraram que o principal contributo do estruturalismo não reside na oferta de novos conhecimentos sobre a língua árabe, mas na introdução de um critério epistemológico diferente para avaliar a validade das explicações linguísticas. Esta abordagem permitiu identificar limitações na teoria clássica do ʿāmil, embora a proposta alternativa de Hassan também não tenha conseguido resolver conclusivamente estas dificuldades quando submetida ao mesmo nível de análise crítica. Conclui-se que a influência do estruturalismo na gramática árabe tem sido mais metodológica do que teórica, e que grande parte da literatura existente consiste em reinterpretações pedagógicas em vez de desenvolvimentos empiricamente verificados
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