Controle com um sorriso: quando a inteligência emocional substitui a vigilância pela empatia
DOI:
https://doi.org/10.51247/pdlc.v7i4.1030Palavras-chave:
inteligência emocional, controle organizacional, capitalismo emocional, autogovernoResumo
A inteligência emocional consolidou-se como um critério relevante para avaliar a liderança, ao ser apresentada como uma alternativa humana à supervisão tradicional. Entretanto, sua aplicação em relações de trabalho marcadas por desigualdades de poder também pode reproduzir mecanismos sutis de controle. Este artigo teve como objetivo propor um marco integrado que explique como a inteligência emocional pode funcionar como instrumento de regulação organizacional, em vez de promover o empoderamento dos trabalhadores. Realizou-se uma revisão documental crítica de contribuições da psicologia organizacional, da sociologia crítica e da análise foucaultiana do autogoverno. Os resultados permitiram identificar cinco mecanismos inter-relacionados: a apresentação da inteligência emocional como padrão neutro de liderança; o uso estratégico da leitura emocional para influenciar os subordinados; a mercantilização dos sentimentos no capitalismo emocional; a transformação do empregado em agente de sua própria regulação; e a absorção da resistência pelo discurso predominante da liderança. Concluiu-se que o empoderamento emocional pode reproduzir relações de poder quando as habilidades emocionais são orientadas ao controle, à adaptação e à produtividade, em vez do cuidado e da autonomia. O marco proposto amplia a compreensão crítica da inteligência emocional e abre uma agenda de pesquisa sobre as ferramentas de liderança branda
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